Crise

por Eduardo Verderame

Subo as escadas da galeria. É mais uma das duzentas galerias da cidade mais rica do mundo, onde a cada semana dezenas de artistas estão prontos para oferecer o seu melhor. Na maioria das vezes entro ao acaso, ou mesmo observo de fora. Desta vez fui já avisado: o quadrinhista Robert Crumb mostraria uma série de desenhos originais de uma nova série. Crumb não é um artista de galeria e nem faz questão de mostrar seus originais, geralmente negociados “a portas fechadas” sem que sequer cheguem a ser exibidos. No início dos anos noventa Crumb vendeu seus cadernos de desenho e comprou uma casa na França, onde se refugiou e vive desde então com sua família.

Continuar a ler “Crise”

Tecnoxamanismo, tecnomagia, ruidocracia e outras idiossincrasias

por Fabiane Borges

Eu ia naqueles retiros durante os carnavais. Meio do mato, nenhuma droga. Todos viciados nos “dons do espirito santo”: sabedoria, conhecimento, fé, cura, maravilhas, profecia, discernimento, variedade de línguas, interpretação de línguas, e também sonhos, interpretação de sonhos e arrebatamento.

Continuar a ler “Tecnoxamanismo, tecnomagia, ruidocracia e outras idiossincrasias”

Gerador Elétrico

por Peetssa

São Paulo, 18 de março de 2011. 17:43h, horário de RUSH. Chove lá fora acidamente… O trânsito pára e o medo cresce dentro de cada cidadão exposto à insalubridade da vida urbana. Apenas 18 milhões de habitantes. Aproximadamente 11 milhões de automóveis enfileram-se em constante combustão de petróleo. O ar já é intragável.

Continuar a ler “Gerador Elétrico”

Grupo Focal Nós e Microcrises

por Daniel Lima

Foram reunidos doze participantes. Personagens criados em diferentes perspectivas. Foram lançados temas-chaves para cada rodada de debate. As conversas foram gravadas em áudio, depois transcritas e editadas.

ATO I – INTERVIR

PiXador: Nós ocupamos a cidade muito antes de qualquer conversa sobre intervenção urbana. Grupos como os Vadios, na Zona Oeste, já estavam no terceiro irmão. Passando de irmão para irmão, a assinatura. Mas nunca teorizamos sobre nada disto. Fazemos, no anonimato, uma guerrilha de ocupação da cidade. Existe, hoje, uma lei que diferencia o grafite como arte e a pichação como contravenção. Mas, sabe, acho que só vale mesmo a contravenção.

Continuar a ler “Grupo Focal Nós e Microcrises”

Meus Medos e Lutas

por Euler Sandeville

meus medos e lutas me consomem em amores fugidios inalcançáveis e em indagações torrentes em profusas navegações uníssono na queda imensa da cachoeira do rio do mar nos noturnos nas contravoltas das ondas esquartejo meus pensamentos como grãos de quartzo que revelam a plenitude de minhas esperanças como brilhos que se devolvem ao sol como um abraço no ar transeunte nas crenças e os valores que busco na imperfeição em que resido a cada dia a cada fragmento perco no mundo uma parte de mim por vezes como afeto outras tantas como grito escancarado ou como lágrimas que em silêncio escorrem convulsionando a face que se oculta na garganta

Continuar a ler “Meus Medos e Lutas”

O Ritmo do Capital e do Teatro de Terror, A Errorista Internacional, Etc…

por Jennifer Flores Sternad

Uma obra de arte que é verdadeiramente realizada será uma obra que, no ambiente em que habita o artista, tem o mesmo efeito (em certo grau) que um ataque terrorista em um país que está se libertando. 
–León Ferrari, 19681

Em 14 de outubro de 2005, uma gangue de jovens mascarados e fortemente armados apareceu nas ruas do centro de Buenos Aires brandindo metralhadoras, rifles, pistolas e baionetas. Seus rostos estavam cobertos por keffiyehs em preto e branco; braçadeiras vermelhas com o nome de sua organização pontuavam suas roupas pretas. Os Erroristas entraram no distrito financeiro central da capital  a bordo de um Jeep maltratado e de uma motocicleta scooter preta e, em seguida, se dispersaram a pé. Eles corriam no tráfego intenso da noite de sexta para convergir sobre a multidão que se reunia ao redor do Obelisco de Buenos Aires. Doze faixas de tráfego, bancos, cafés e enormes marquises flanqueiam o monumento nacional mais emblemático da Argentina. Nesta noite em especial, uma demonstração com tema praiano estava em andamento na praça na base do Obelisco. Era chamada ironicamente de  “Welcome Bush Party”, que antecipava a próxima visita do Presidente dos EUA à Argentina. O encontro dedicado ao líder da “Guerra Global contra o Terror” compunha o palco perfeito para a Errorista Internacional (IE) fazer a sua estreia pública.

Continuar a ler “O Ritmo do Capital e do Teatro de Terror, A Errorista Internacional, Etc…”