NA BORDA / intervenções

Nove coletivos criam Intervenções Urbanas em São Paulo

NA BORDA/Intervenções é uma mostra de intervenção urbana em São Paulo, que acontece no mês de abril de 2012, com nove coletivos artísticos: Bijari, Projeto Matilha, COBAIA, Contrafilé, EIA, Esqueleto Coletivo, Frente 3 de Fevereiro, Nova Pasta e Ocupeacidade. O processo de criação e os registros destas ações poderão ser acompanhado no site naborda.com.br.

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Arquivomania

por Suely Rolnik

Se o passado insiste, é pela incontornável exigência vital de ativarmos, no presente, seus germes de futuros soterrados.
Walter Benjamin (psicografado)

Há cultura, que é a regra. E há exceção, que é a arte…
Todos dizem a regra: cigarros, computadores, camisetas,
televisão, turismo, guerra. Ninguém diz a exceção. Isso não
se diz. Isso se escreve, se compõe, se pinta, se filma.
Ou isso se vive. E então é a arte de viver.
É da regra querer a morte da exceção.
Jean-Luc Godard (Je vous salue Sarajevo)1

Uma verdadeira compulsão em torno de arquivos tomou conta do território globalizado da arte nas últimas décadas; uma compulsão que abarca desde investigações acadêmicas de arquivos existentes ou ainda por constituir até exposições neles baseadas parcial ou integralmente, passando por acirradas disputas entre colecionadores privados e museus pela aquisição desses novos objetos de desejo. Sem dúvida, o fenômeno não é fruto de puro acaso.

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cuidado com o fogo

por Túlio Tavares

A(r)tivismo é brincadeira? O Ar(r)ivismo é sério?

Com quantos umbigos se faz um coletivo? Um(b)iguismo?

Tudo começa no início dos anos 2000. Estávamos em um grande devir tentando criar táticas de sobrevivência por meio das trocas de interesses, conteúdos e afetos. Produzíamos fora do circuito financeiro, trabalhando coletivamente, criando coletivos, participando de outros coletivos, articulando uns com os outros. Fui parar no meio de um furacão e um furacão só acontece se estiver tudo preparado para ele acontecer; não existe um furacão que surja do nada; os elementos estavam todos lá: a quantidade certa de umidade, a quantidade certa de ar, a transformação de temperatura daqui para lá, um vento x, y que vai passar ali por baixo e, pum!, explodiu um furacão. O que eu digo é: estava tudo no ar para que houvesse essa aproximação, cidade caótica, artistas organizados em coletivos e movimentos sociais. Toda a lógica do que viria a acontecer já estava lá antes mesmo desse furacão que aconteceu livre, sem amarras, sem contratos, sem 13º. Sabíamos da força simbólica que essa rede de resistência urbana poderia ter nas esferas micro e macropolíticas.

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Zona de Poesia Árida

por Museu de Arte do Rio – MAR

Zona de Poesia Árida apresenta o conjunto de mais de 55 trabalhos de coletivos de arte e ativismo de São Paulo que, no MAR, constituem o Fundo Criatividade Coletiva/Doação Funarte, formado por meio da 6a edição do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, iniciativa de grande importância no campo das políticas públicas da cultura deste país.

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Nosso desafio é seguir o nosso desassossego.

por Daniel Lima

Zona de Poesia Árida

Não somos o asfalto desta rua? Não somos o cimento destes muros? Não somos as janelas deste tempo que se escancara sempre, sempre e sempre? Viemos para marcar este território com outra poética. Criar outro mundo. Viemos para a prática de uma política impossível e infinita. Multiplicar histórias sem palavras em toda parte, nas ruas, nas casas, nas rodas de conversa, nos casais, no afeto, na luta. Nos damos a permissão de uma saída de emergência.

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Texto Curadores

Existe nos trabalhos de Zona de Poesia Árida a capacidade de espalhamento que é inerente ao campo da produção cultural coletiva. Há obras que, mesmo tendo sido produzidas no início do século, são cada vez mais atuais e se afirmam como referência nos campos da arte e do ativismo, a exemplo da sequência de bandeiras da Frente 3 de Fevereiro e seu questionamento sobre o racismo no futebol; ou ainda o Monumento à catraca invisível, do coletivo Contrafilé, em que o símbolo catraca – e sua tácita “descatracalização” – tem sido atualizado como um marco de luta.

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MAXIMIZANDO AS BORDAS

por Flavia Vivacqua

Na ecologia, as bordas são o espaço limite entre territórios e sabidamente o lugar mais fértil e produtivo que podemos encontrar para a biodiversidade. É ali, na borda, que se estabelece o campo de encontro entre ecossistemas distintos, possibilitando a mescla e potencializando a vida, gerando assim maior resiliência[1] ambiental e preservação de espécies. Além disso, uma borda sinuosa é sempre mais extensa que uma linha reta delimitante, ainda que conecte os mesmos dois pontos, o que também a faz mais criativamente potente.

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VAZADORES (Os Ladrões da Galeria)

Por Fabiane Morais Borges

Constantemente corremos o risco de estacionarmos exatamente no posto que outrora criticávamos. Risco popular, em que muitos caem sem sequer perceber ou fazer autocrítica. A história está cheia disso, o escravo fascista, o porteiro autoritário, sujeitos que assumem o papel do opressor. Esse comportamento se dá de forma inconsciente, geralmente com algum gozo, enfeitado por um delírio de poder, que se sustenta com o reconhecimento e a inveja alheia. Os descuidados podem não perceber quando estão assumindo o posto, são os outros que notam.

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