Protesto em tempo de Pandemia!

A cidade sempre foi para mim um espaço de criação e combate, local no qual a expressão artística toma forma. Nesse momento de pandemia, ao ficar impossibilitado de estar na rua, criar peças para as redes sociais se tornaram um meio de expressão possível. Trilhar nesse novo campo uma possibilidade de intervenção, de novas narrativas, de ruídos e invenções, foi como consegui continuar exercício poético e político. Entender que esse hoje esse ambiente é fértil e muito parecido com espaço público, que também precisa de intervenções e consegue potencializar expressões, foi o resultado dessa investigação. Essa pesquisa que começou em 2016 de modo tímido chega hoje a um novo patamar. Essa conquista passou por entender como funciona a comunicação nas mídias sociais e o trabalho em rede. Dois projetos com os quais colaborei me ajudaram nessa compreensão. O primeiro é o Design Ativista, grupo que surgiu em 2018 e ganhou força em 2019, no qual artistas visuais e principalmente designers criavam imagens sobre fatos da realidade. Várias das imagens aqui mostradas foram criadas e distribuídas por esse grupo. Uma boa imagem enviada nessa rede, no tempo certo,  pode alcançar mais de 30 mil visualizações, o que é muito raro para uma postagem individual ou uma exposição de arte. Essa possibilidade de se comunicar com um maior numero de pessoas foi um ganho ao aderir e esse novo modo de distribuir trabalhos: criando em rede. A segunda experiência vem do campo audiovisual. Durante a pandemia fui convidado a colaborar com o coletivo Projetação, formado por VJs do Brasil, que criou um grupo de whats app e diariamente novas pautas eram lançadas e discutidas, diversos artistas se mobilizavam para criar imagens e vídeos para no final serem projetadas em diversos pontos do Brasil, por pessoas com projetores maiores e menores. As imagens de projeções aqui apresentadas veem dessa colaboração e mostraram para mim um novo jeito de ocupar a cidade. Alguns artistas produzem conteúdos, outros projetam, poucos organizam e assim de forma orgânica o projeto avança.
Seguimos inventando novos jeitos de criar e partilhar nossa sensibilidade, criando outras narrativas possíveis e imaginando futuros.