Paisagens do Isolamento

Passamos por um momento sem precedentes, em que as forças do futuro parecem sombrias. Numa realidade representada a sí mesma, caminhamos no mesmo lugar em meio à beira do abismo. Perdendo o substrato da realidade de antes, mergulhamos fundo num mundo à distância se apresentando na palma da mão. Perto ou longe vamos reconstruindo o conhecimento, a cultura, transformando o social e o individual, porém, ficamos entregues à mecanização e ao controle de nossas vidas.

Devido ao providencial isolamento, acabamos por desenvolver todo um aparato psíquico de paisagens mentais, resquícios de imagens se vinculam à memória de nossa vivência de antes da pandemia. Essas pinturas tentam refazer esse movimento visível/invisível.

Por meio de um olho que sonha, que se submete ao corporal e ao gestual, vão se construindo imagens de paisagens longínquas que se tornam um conjunto de forças mnemônico, realizando-se por meio de um não visto, um olhar latente, que aludindo a horizontes imaginados, tornam-se metáfora desses tempos.

Rubens Zaccharias Jr.

Paisagens do isolamento

Tela 1 Movimento cinza.  Óleo s/ tela. 1,50m x 1,60m

Tela 2 Movimento cinza. Óleo s/ tela. 1,50m x 1,60m

Tela 3 Marinha verde. Óleo s/ tela. 1,40m x 1,60m

Tela 4 Marinha azul. Óleo s/ tela. 0,60m x 1,60m