Micro-Revoluções

por Élida Lima

Luiza Coppieters ​é professora de filosofia para jovens do ensino médio na cidade de São Paulo.

No último ano, resolveu adotar uma abordagem linguística ligeiramente diferente e radicalmente diferente, que se converteu em experimento social intensivo, quando se propôs a inverter a norma gramatical e usar o pronome feminino nas turmas onde há mais meninas do que meninos.

Em todas as turmas há mais meninas do que meninos.

 

Bom dia, alunas. Como vocês estão hoje, cansadas, animadas?

O suficiente para a insurreição masculina:

– Ô, fessora, qualé, tá me tirando? Mancada, aí.

No que Luiza, que já foi Luizão, faz agir sua pedagogia feminista:

– O moleque não aguenta dois minutos sendo chamado de aluna, ele levanta a mão e fala. Meninas, vocês foram chamadas de alunos a vida inteira e nunca levantaram a mão para questionar. Não pensem que vocês é que são fracas, mas vejam a força da estrutura com a qual a gente tem que romper.

 

Élida Lima é escritora, editora e professora. De Belém, vive em São Paulo. É autora “Cartas ao Max: limiar afetivo da obra de Max Martins” (Invisíveis Produções, 2013) e “Voados” (Autora, 2009). Mestra e Doutoranda pelo Núcleo de Subjetividade da PUC-SP. Atua nos coletivos #partidA feminista e Cursinho Popular Transformação.

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