MENSAGENS SILENCIOSAS em meio ao CAOS

por Augusto Citrangulo

projeto de intervenção urbana no bairro da Barra Funda

Durante minha participação em um seminário sobre arte urbana no Instituto de Artes da UNESP em 2012, fui convidado pela Profª Lilian Amaral a fazer um trabalho que tratasse as questões discutidas no seminário que tratavam de limites, preconceitos, especulação imobiliária e ocupação territorial.

Optei em realizar uma série de intervenções, com a preciosa participação na linha de frente de Lucas HQ, de lambes com mensagens curtas, escritas com o alfabeto de LIBRAS, nos muros/defensas das pontes e viadutos que dão acesso ao bairro da Barra Funda, marcando os limites que estavam sendo transpostos.

Apenas alguns dos sinais em libras tinham impressa sua correspondente no alfabeto latino, como referência base para a compreensão das palavras. As palavras/frases que expressavam o tema da integração/isolamento do bairro em relação ao entorno/cidade foram definidas em um workshop colaborativo na UNESP realizado com moradores do bairro, juntamente com a artista e educadora Lucimar Bello.

conceito

Costumamos definir uma ilha como uma porção de terra cercada de água por todos os lados. Ampliando essa definição poderíamos também entender como ilha um pedaço de território cercado de vias de fluxo intenso por todos os lados? Seriam rios de água tão diferentes dos rios de asfalto ou de ferro em seu papel de limites tangíveis de um território? Seriam as pontes tão diferentes dos viadutos já que ambas têm como principal missão vencer os fluxos que separam as ilhas dos continentes? O que as ilhas têm a nos oferecer? Seu pretenso isolamento nos aguça a vontade de explorar, visitar, conhecer, descobrir. O que de início se apresentaria como território predestinado à exclusão, com bordas tão definidas, com o auxílio de pontes e viadutos torna-se território livre a ser explorado. Desde que se perceba e use a transposição que oferecem a relação entre territórios passa a estar em curso. Como desafiar a força e a velocidade da metrópole com seus limites, intensos fluxos cotidianos de tráfegos e rápidas mensagens concebidas para apenas para leituras dinâmicas? Uma resposta ou uma provocação pode se dar através de uma comunicação diferenciada, em pequenas doses, homeopáticas, como um medicamento que se toma, em intervalos regulares, sem que se saiba, de início, qual será o resultado do tratamento. Opostas às características das ruidosas mensagens urbanas padronizadas, mensagens silenciosas, a princípio, indecifráveis, apreendidas aos poucos, relidas diariamente, compostas letra a letra até sua compreensão final. A velocidade do fluxo que se impõe desafia sua leitura. Mas, há uma mensagem a ser lida… A  curiosidade em entendê-la, questiona a velocidade imposta pela cidade. Aproveita-se o momento do congestionamento, reduz-se discretamente a velocidade ao passar pelo local ou larga-se o carro e segue-se a pé. “Decifra-me…ou te devoro.”

E a transposição será feita.

   

Augusto Citrangulo

 Nasci em 1961, em São Paulo, onde vivo e trabalho.

Em 83 formei-me em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie.

Como artista plástico participo, frequentemente, de mostras individuais e coletivas tendo integração social, tecnologia, produção e consumo consciente como temas de objetos, intervenções urbanas e instalações site-specifcs.

Desde 2003, participo do coletivo NOVA PASTA. Recentemente, participei da mostra “BIENAL DE PINTURA” na Galeria Virgílio em São Paulo, com o trabalho 3D1 Laudatum onde apresentei os mais recentes resultados da pesquisa que tenho desenvolvido na realização de graffiti com estêncil em 3D.

(11)97612-0515

augusto.citrangulo@gmail.com

https://www.facebook.com/jaboticabadesign/

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.