Nascimento do Objeto Relacional Urbano

por Rodrigo Araujo

Desci do ônibus na consolação
Segui pelas ruas
Vestido inteiro de laranja
Com uma bandeira na mão

Procurava encontrar uma revolução
Comecei procurando lugares
Que fugiam do desespero
Ou burlavam a legislação

Espaços esquecidos, informais
Arquiteturas efêmeras
As vezes ilegais

Gambiarras novas, geniais
Materiais reciclados
Remixes funcionais

Deslocamentos rápidos, fluídos
Rotas de sobrevivência,
Criação e resistência.


A cor laranja solta na cidade
Por dias derivei
Inteiro laranja, bandeira na mão
Demarcando territórios
Intervindo na organização

Criava um Ruído
Sobre sua composição

Será um sambista perdido
Ou um gari da revolução?
Talvez um passista
De uma escola em vão?
Um time de futebol novo
Ou o velho chavão?
O militante em busca
De mais uma agitação.

A cada dia mais indagação
Cada um que chegava
Deixava sua opinião
Os mais diretos falavam na hora
Tudo que achavam
Soltavam verbo e imaginação
Os tímidos esperavam um pouco
encontravam seu tempo
E conversavam um montão

A intenção era apenas se relacionar
Com situações que estavam ali
Invisíveis ao olhar

Mas sempre existe um desvio
Uma fenda para se escapar

O que era uma ação
Catalogar-registrar
Se transformou em um jeito
Para se comunicar

O corpo não deixou
Apenas a bandeira achar
Espaços e coisas
Todos queriam conversar

Mais que isso
Ela trouxe o trabalho para um outro lugar
Ser um elo entre duas pessoas
Sem precisar falar.

Deixar se contaminar
E ao final, se transformar
De maneira que os dois
Não são os mesmos antes de se encontrar.

Cada um a seu modo
Se permitiu mudar
Um tornou-se o outro
Existiu em um novo lugar.

 

  

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